Algumas ideias parecem boas, promissoras, interessantes, instigantes. Parecem que vão fazer o público questionar, pensar.
Infelizmente, nem sempre são. Há uma diferença entre um conceito que parece atrativo e a aplicação daquilo. Pode ser por falta de recursos e técnicas, ou talvez por falta de preparo ou maturidade. Pode ser até que a ideia funcionasse se tivesse surgido em outro momento, outros contextos. Em alguns casos, pode ser que a vontade de entregar resultados seja maior que a capacidade de efetivamente fazer a entrega.
É o caso da minissérie “Cassandra”, da Netflix. Uma série alemã de suspense, terror psicológico e ficção científica. Quando pensamos na trama da série, vemos que existe um potencial. Contudo, as coisas não saem como o planejado.
O plot
Após um evento traumático, Samira se muda com sua família (seu marido David, e os filhos Fynn e Juno) para uma cidade interiorana para poderem recomeçar. Ao chegarem na casa a família descobre que se mudou para a primeira casa “smart”, totalmente controlada por uma inteligência artificial chamada Cassandra, capaz de abrir e fechar portas (inclusive da geladeira), ligar o forno, controlar a temperatura da água. Na casa, há inclusive um robô humanoide (uma espécie de personificação da cassandra) que pode cozinhar, limpar, cortar a grama.
Análise (sem spoilers)
O grande problema da minissérie é querer abordar aspectos demais. Os elementos de terror psicológico, suspense, ficção científica e até mesmo o drama pessoal dos personagens acabam conflitando entre si. A série se propõe a muitas coisas, a ponto de não saber exatamente sobre o que gostaria de falar.
Muitas ideias com potencial são lançadas na trama, mas não são conduzidas a uma conclusão. No final, o resultado acaba sendo mediano e até um pouco frustrante. Os conflitos são superficiais e pouco explorados. Enfim, a série é repleta de coisas que parecem boas, mas não funcionam muito bem.